
FONTE: ACERVO PESSOAL
O tuiuiú é aquele que primeiro chama atenção de quem chega ao Pantanal. Não tem como não notar: quase um metro e meio de altura, pescoço nu e vermelho, contrastando com o corpo branco e a cabeça preta. Muita gente diz que ele parece “sério demais” pra um pássaro, meio embaixador de terno andando pelas águas rasas.
Ele é considerado o símbolo maior da região, tanto que tem até estátua dele em Corumbá. Mas o curioso é que o nome “tuiuiú” vem do tupi-guarani e quer dizer algo como “pescoço inchado” — bem a cara dele mesmo, com aquele papo vermelho que incha quando está displayando pra atrair parceira ou defender território.

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Os ninhos dele são gigantes, de dar inveja pra qualquer construtor. Ficam no topo das árvores mais altas, geralmente perto d’água, e o casal reutiliza o mesmo ninho ano após ano, sempre reforçando com mais gravetos. Alguns ninhos antigos chegam a pesar centenas de quilos. E o mais bonito: tuiuiú costuma ser fiel ao parceiro, voltando ano após ano pro mesmo lugar pra reproduzir.
Na época da seca, entre julho e setembro, é quando dá pra ver eles com mais facilidade, caçando peixe, caramujo, cobra e até filhote de jacaré nas poças que vão secando. É um bicho oportunista, aproveita bem o que a estação oferece. Esse período, inclusive, é considerado o melhor momento pra fazer turismo de observação de aves no Pantanal, já que o nível baixo dos rios concentra os animais em poucos pontos de água e facilita demais os avistamentos. Fotógrafos e turistas do Brasil inteiro planejam a viagem justamente pensando nessa janela, quando as chances de flagrar um tuiuiú caçando de pertinho são muito maiores.

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Infelizmente, como boa parte da fauna pantaneira, o tuiuiú sofre com as queimadas que atingem a região com frequência cada vez maior. Perder área de nidificação é um problema sério pra espécie, já que eles dependem de árvores específicas e de um ambiente bem preservado pra se reproduzir. Organizações de preservação ambiental no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso vêm monitorando essas populações de perto, mapeando ninhos ativos e tentando entender o real impacto das queimadas na taxa de reprodução da espécie ano após ano.
Quem visita o Pantanal e tem a sorte de ver um tuiuiú sobrevoando baixo, com aquelas asas enormes quase tocando a água, entende na hora por que ele virou símbolo. Tem algo de imponente nisso, uma presença que marca a paisagem de um jeito que nenhuma outra ave da região consegue.