
FONTE: ACERVO PESSOAL
Quem já andou pelas matas de altitude de Minas Gerais, principalmente na Serra da Mantiqueira, talvez tenha tido a sorte de ouvir um barulho estridente vindo do topo das árvores. Ali, bem provavelmente, estava um papagaio-de-peito-roxo, uma das aves mais bonitas e mais ameaçadas do estado.
O nome já entrega a característica principal: o peito dele tem um tom arroxeado que contrasta com o verde do corpo e um toque de vermelho nas asas. É “uma ave elegante”, quase discreta pra quem não conhece, mas que voa em bandos barulhentos e chama atenção de longe pelo som.

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Ele é considerado símbolo da Mata Atlântica mineira, já que depende diretamente das matas nativas de altitude pra sobreviver. O problema é que justamente esse tipo de mata é um dos mais desmatados do Brasil, o que fez o papagaio-de-peito-roxo entrar na lista de espécies ameaçadas de extinção. Hoje ele é considerado um verdadeiro indicador de saúde ambiental: onde ele aparece, é sinal de que a floresta ainda está de pé e relativamente conservada.
A alimentação dele é bem variada, envolvendo frutos nativos como o da araucária, além de sementes e brotos. Isso faz dele um agente importante de dispersão de sementes, ajudando a própria floresta a se regenerar. Curiosamente, esses papagaios formam casais que duram a vida toda, e é comum ver o casal se alimentando lado a lado, quase sincronizado, enquanto o resto do bando fica de vigia.
Um dos comportamentos mais interessantes da espécie é a nidificação em ocos de árvores antigas, geralmente bem altas, o que torna a reprodução extremamente dependente de árvores centenárias que muitas vezes já não existem mais nas áreas desmatadas. Isso cria um efeito em cadeia preocupante: sem floresta madura, sem local pra nidificar, e sem reprodução, a população só tende a cair. Pesquisadores de universidades mineiras vêm acompanhando de perto essas populações remanescentes, tentando mapear rotas de deslocamento e áreas prioritárias pra conservação.

FONTE: ACERVO PESSOAL
Nos últimos anos, projetos de conservação em áreas protegidas de Minas Gerais, como parques estaduais na região da Mantiqueira, vêm tentando reverter esse quadro, com monitoramento de ninhos e recuperação de matas nativas. É um trabalho lento, mas que já mostra resultados em alguns pontos do estado, com registros de bandos maiores do que há uma década.
Quem tiver a chance de avistar um bando de papagaio-de-peito-roxo cruzando o céu mineiro entende na hora por que vale tanto a pena proteger essa espécie. Não é só uma ave bonita — é um pedaço vivo da história ambiental de Minas Gerais.