Leitura de 3 minutos | Cultura popular | Turismo cultural no Nordeste
Existem lugares que a gente visita e lugares que a gente sente. Pernambuco é do segundo tipo. Basta uma esquina de Recife ou uma ladeira de Olinda para o corpo entender que ali a cultura não fica no museu: ela sai pela rua, de sombrinha na mão e tambor no peito.

FONTE: ACERVO PESSOAL
O frevo, que se dança no ar
Nenhum símbolo resume melhor o estado do que o frevo. Nascido no Recife no fim do século XIX, ele mistura a música das bandas militares com a ginga de capoeiristas que abriam caminho nos desfiles. Os passistas, de sombrinha colorida e passos acrobáticos, parecem desafiar a gravidade. Em 2012, o frevo foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, e hoje pode ser conhecido de perto no Paço do Frevo, no Recife Antigo.
Carnaval de rua e maracatu
O carnaval pernambucano é de todo mundo. Em Olinda, os bonecos gigantes e as ladeiras lotadas de foliões criam uma festa sem cordas nem camarotes. No Recife, o Galo da Madrugada leva multidões ao centro logo na manhã de sábado. Mas é no maracatu de baque virado, também chamado de maracatu-nação, que a emoção toma o ar: os tambores graves, os cortejos reais e a ligação com os terreiros e a ancestralidade afro-brasileira arrepiam até quem só passou para ver. No interior, o maracatu rural e o caboclinho trazem outras cores e outras histórias.
Barro, forró e São João
O agreste conta outro capítulo. Em Caruaru, o Alto do Moura guarda a memória do Mestre Vitalino, que transformou barro em figurinhas de cenas do cotidiano sertanejo e abriu caminho para o artesanato de figurado. A cidade também vive um dos maiores São Joões do país, com forró pé de serra, fogueira e quadrilha. E o sanfoneiro Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, nascido em Exu, no sertão, levou esse som do Araripe para o Brasil inteiro.
Mangue e pensamento
Em 1990, o Recife ganhou um dos movimentos mais criativos da música brasileira: o manguebeat. Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A misturaram guitarra, maracatu e a imagem do mangue como símbolo de vida e resistência. No campo das letras e das artes, o escritor Ariano Suassuna, com o Movimento Armorial, reinventou a tradição do romanceiro popular e do cordel.
O sabor que acolhe
A mesa também é cultura. Bolo de rolo de goiabada, tapioca recheada, cartola (banana frita com queijo coalho e canela), carne de sol com macaxeira, e o caldinho de feijão para esquentar a noite. Tudo com a generosidade de quem serve como quem recebe um parente.

FONTE: ACERVO PESSOAL
Um estado que não cabe numa palavra
De Fernando de Noronha ao sertão do Pajeú, de Olinda ao Recife Antigo, Pernambuco é feito de camadas: africanas, indígenas e europeias, tocadas ao mesmo tempo. Se puder, vá no carnaval, vá no São João ou vá em qualquer dia comum. Escute o tambor, prove a tapioca e olhe para cima: provavelmente há uma sombrinha de frevo passando.
Palavras-chave trabalhadas no texto: cultura de Pernambuco, frevo, Patrimônio Imaterial da UNESCO, Carnaval de Olinda, Galo da Madrugada, maracatu de baque virado, Mestre Vitalino, Alto do Moura, São João de Caruaru, Luiz Gonzaga, manguebeat, Chico Science, Movimento Armorial, Paço do Frevo, turismo cultural.