ARARA-AZUL: GUIA COMPLETO PARA IDENTIFICAR UMA DAS AVES MAIS BELAS DO BRASIL

FONTE: ACERVO PESSOAL

Poucas aves despertam tanto fascínio quanto a arara-azul. A cor é praticamente inconfundível: um azul intenso e vibrante cobrindo quase todo o corpo, contrastando com um anel amarelo ao redor dos olhos e na base do bico. É desses animais que, uma vez visto ao vivo, fica gravado na memória.

O tamanho também impressiona bastante na hora da identificação. É uma das maiores araras do mundo, podendo chegar a quase um metro de comprimento contando a cauda, que é longa e afunilada. O bico é grande, curvo e extremamente forte, adaptado justamente pra quebrar cocos duríssimos, como o da palmeira bocaiúva, um dos alimentos preferidos da espécie.

FONTE: ACERVO PESSOAL

Um detalhe que ajuda bastante quem está aprendendo a identificar a arara-azul no campo é o comportamento em casal. Elas formam pares monogâmicos que duram a vida toda, e é muito comum avistar duas araras voando sempre próximas, quase sincronizadas, emitindo aquele grito grave e potente que ecoa por longas distâncias na mata. Esse som, inclusive, costuma ser identificado antes mesmo de a ave aparecer no campo de visão.

A arara-azul é encontrada principalmente no Pantanal e em algumas áreas do Cerrado, sendo o Mato Grosso do Sul um dos points mais conhecidos pra observação da espécie na natureza. Ela depende diretamente de árvores ocas e antigas, principalmente manduvis, pra fazer seus ninhos, o que torna a preservação de matas nativas essencial pra sobrevivência da população. Não é à toa que a espécie já esteve seriamente ameaçada de extinção nas décadas passadas, principalmente por causa do tráfico de animais silvestres e do desmatamento.

Na hora de identificar, um erro comum entre iniciantes é confundir a arara-azul com a arara-canindé, que também tem tons de azul no corpo. A diferença está no padrão de cores: enquanto a arara-azul é praticamente toda azul, com pouquíssimo amarelo restrito à região dos olhos, a arara-canindé tem o peito e a barriga em um amarelo forte, criando um contraste bem mais evidente entre as duas cores. Reparar nessa proporção de cores é o jeito mais rápido de não errar a identificação em campo.

Graças a projetos de conservação bem-sucedidos, como o Instituto Arara Azul, a população da espécie vem se recuperando de forma significativa nas últimas décadas, sendo hoje um dos maiores exemplos de sucesso em preservação de fauna no Brasil. Isso fez com que a arara-azul saísse da lista de espécies criticamente ameaçadas, um feito bastante comemorado por biólogos e ambientalistas.

Quem está começando no birdwatching e sonha em avistar essa ave de perto, o Pantanal continua sendo o destino mais indicado, principalmente durante a estação seca, quando a visibilidade e as chances de encontro aumentam consideravelmente.